Isto é com vocêVocê tem perfil para trabalhar na Internet?

Esqueça plano de carreira e metade do que ocorre nas empresas convencionais. Na Web, caos é ordem, mudança é lei e ser empreendedor é obrigação.

Por Laura Somoggi

Computadores, dezenas de CDs em pilhas espalhadas por todos os cantos, revistas, tacos de beisebol encostados na parede, mouses com fantasia de ratinho, bonecos de personagens do seriado americano Muppet Show ou do South Park - desenho animado que passa na MTV. Estamos no quarto de um adolescente? Não, não. Estamos na sede brasileira da Organic, em São Paulo, uma das cinco maiores empresas de marketing interativo dos Estados Unidos. Apesar do ambiente irreverente e brincalhão, o que se faz aqui é coisa séria. A Organic faturou 30 milhões de dólares no ano passado, criando sites e soluções de negócios on-line para clientes como Brahma, Skol, Banco Itaú, entre outros. Negócio de gente grande, como se vê, apesar de a idade média dos seus 17 funcionários ser de 24 anos.

Esse é um exemplo típico do ambiente de uma empresa de Internet. “Aqui as coisas mudam o tempo todo, ficamos ligados 24 horas por dia, sete dias da semana”, diz Christina Haas, de 26 anos, presidente da Organic. “É preciso fazer tudo muito rápido. É alucinante.”

Você está preparado para trabalhar num lugar assim? Apesar de todas as maravilhas que se têm falado a respeito das grandes oportunidades na Internet, talvez seja sensato você parar e pensar se vai mesmo conseguir se realizar e ser feliz nesse cenário. Trata-se, sim, de um universo moderno e repleto de oportunidades para quem tem boas idéias e sabe executá-las. Mas, definitivamente, não é para qualquer um. O que conta aqui é menos a experiência na área - que não tem mais do que cinco anos - e mais o perfil e a personalidade da pessoa.

Veja esta história: quando a Yahoo! (portal mais visitado do mundo) estava selecionando um diretor para ser o responsável pelas operações da empresa na América Latina, uma das pessoas a entrevistar o candidato foi um futuro subordinado. Bruno Fiorentini, 31 anos, gerente-geral da Yahoo! no Brasil, ajudou a escolher Roberto Alonso, responsável pela região e seu futuro chefe. Fiorentini poderia vetar Alonso? Sim. “Eu não tinha que fazer uma avaliação técnica dele, mas, se eu sentisse que não tinha o perfil desejado, podia vetá-lo, sim”, diz Fiorentini.

Mas, afinal, qual é o perfil de profissional procurado pelas empresas de Internet?

“Quem precisa ter sala própria, secretária, descrição de cargo e plano de carreira… pode esquecer”, afirma o headhunter Ricardo Rocco, da Russell Reynolds Associates. “A personalidade e a dinâmica pessoal pesam muito mais do que a capacidade de se encaixar em padrões definidos”, afirma Carlos Diz, sócio da Spencer Stuart, uma das maiores empresas de headhunting do mundo. De fato, quando se trata de Internet, esses padrões não existem, tudo está sendo criado agora. Quem trabalha na área tem que fazer coisas que nunca foram feitas. Não há regras definidas. “Não existe um know-how prévio para ser transferido”, diz Marcelo Lacerda, 39 anos, sócio do ZAZ, um dos maiores provedores de acesso à Internet do país. Isso não deve ser visto como ameaça, e sim como oportunidade. Ganha espaço aqui quem arregaça as mangas e faz.

Se você pretende trabalhar com Internet, não espere que os outros lhe ensinem como fazer. Você tem que ser autodidata. “Não dá tempo de ficar ensinando”, afirma Fiorentini. “Cada um tem que descobrir o próprio caminho sozinho. E rápido.” Por isso mesmo, saber usar a intuição pode ser um grande diferencial. E mesmo que você descubra a melhor fórmula num determinado momento nada garante que ela continuará valendo no momento seguinte. O dinamismo da Internet é implacável. “Temos que reaprender o tempo todo, os padrões estão sempre mudando”, diz Thiago Boud’hors, designer da Organic, de 22 anos. “Desânimo na hora de refazer alguma coisa é a pior atitude.”

Com tanto dinamismo, não há como querer buscar a perfeição. Não adianta colocar uma idéia no ar só na hora em que ela estiver completamente acabada. Enquanto você está aprimorando, seu concorrente pode sair na frente e abrir larga vantagem. “Não dá para ficar horas e horas avaliando as oportunidades”, diz Alexandre Lobo, 25 anos, especialista em marketing direto e e-business da Xerox do Brasil. Quem é muito teórico ou perfeccionista tende a sofrer num ambiente caótico como esse. “Trabalhamos muito na base da tentativa e erro”, afirma Guto Araújo, produtor do Yahoo! Brasil, de 28 anos. “Primeiro a gente faz, depois, se precisar, arruma.”

Para poder tomar decisões rápidas, quem trabalha com Internet tem muita autonomia. “Aqui não existe aquela burocracia de pedir autorização para o chefe, que vai pedir para o chefe e assim por diante”, diz Fernando Tassinari, 36 anos, diretor-geral da Modem Media Poppe Tyson - uma das maiores agências de marketing interativo do mundo - na América Latina. Para acertar mais do que errar, além de entender de Internet, você precisa conhecer o negócio. Descobrir quais as melhores formas de usar essa mídia para ganhar dinheiro. Ter senso de oportunidade. Fonte: Abril.

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O Orkut, site de relacionamentos virtuais que é mantido pelo Google, pode fechar suas atividades no Brasil ou pelo menos limitar o acesso de internautas brasileiros. A informação foi obtida pela Folha na sede da empresa em Mountain View, na Califórnia. As pessoas ouvidas pediram anonimato por se tratar indiretamente de uma questão jurídica em andamento.

Para a empresa, a ação pode ser tomada se não for possível coibir excessos dos usuários brasileiros ou não se chegar a um acordo com a Justiça do país. A direção do Google avalia que, seja qual for o resultado da atual disputa jurídica, a imagem do site pode sair irremediavelmente arranhada no Brasil, país que responde por entre 80% e 90% do total de usuários, de cerca de 20 milhões.

Em conversa por telefone, a diretora jurídica do Google, Nicole Wong, disse que “nenhuma hipótese está descartada“, mas que a empresa “está muito feliz em prover esse serviço ao Brasil e gostaria muito de poder continuar a fazê-lo”.

O Orkut está envolvido num imbróglio jurídico há alguns meses. O procurador da República Sérgio Suiama, do Ministério Público Federal, investiga crimes que teriam sido praticados no ambiente ou por intermédio do site desde 2003.

Até hoje, foram abertos 52 pedidos de quebra de sigilo, na maioria casos de pedofilia e de crimes de racismo e ódio. Desde que o Google abriu um escritório no Brasil, no ano passado, Suiama afirma tentar negociar o fornecimento de dados para a identificação dos autores das comunidades criminosas.

Na terça, o Ministério Público entrou com ação civil para obrigar o Google Brasil a pagar multa de R$ 200 mil por dia por caso não cumprido, indenização por danos morais já causados de R$ 130 milhões, ou 1% do faturamento da receita do grupo em 2005, e, em último caso, fechamento da filial. A alegação é que a empresa descumpre seguidamente decisões da Justiça.

A Google Inc. diz que cumpriu todos os pedidos endereçados corretamente até hoje. A Folha apurou ainda que a empresa reluta em ceder dados de seus usuários, a não ser em acordo com a Justiça dos EUA, por temer que esses possam ter uso político. Precedentes citados são os de autoridades chinesas e iranianas, que já exigiram informações de dissidentes dos respectivos regimes.

Na terça ainda, a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados (CDHM) entregou à Embaixada dos Estados Unidos um relatório com denúncias de crimes de pornografia infantil e pedofilia supostamente cometidos no Orkut. O documento foi preparado pela Safernet, ONG que recebeu, de 30 de janeiro a 26 de abril, 34.715 denúncias de pornografia infantil no site de relacionamentos.

Abrigado no Google –empresa criada em 1998 pelos ex-colegas de Stanford Sergey Brin e Larry E. Page e que faturou US$ 6,1 bilhões no ano passado - o Orkut era um projeto universitário do turco naturalizado norte-americano Orkut Büyükkökten. O Google logo incorporou o site de relacionamentos, que explodiu nos EUA na mesma época em que outros do mesmo tipo, como o MySpace e o Facebook.

Por algum motivo, no entanto, o Orkut ganhou a preferência dos internautas brasileiros, que são hoje os maiores freqüentadores.

Por SÉRGIO DÁVILA da Folha de S.Paulo, em Washington
Fonte: Folha Online.

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